
Cada vez mais me sinto uma cidadã do mundo, e não da pátria portuguesa…
Para choque de alguns, aceitaria até ser espanhola em nome da qualidade de vida, e não uma portuguesa pobretanas que tem como único consolo o orgulho nacional.
Mas, mais do que isso, penso que pertencer a todo o mundo e não só a um país faz todo o sentido por uma razão: LIBERDADE!
Esta semana, mais uma coisa veio confirmar este sentimento que me persegue há tanto tempo. A Yucnary é uma jovem colombiana que só conseguiu vir para Espanha porque tem um visto de estudante. Azar do caraças, apaixonou-se por um espanhol! Agora, numa altura em que a estadia por terras espanholas tem os dias contados, a possibilidade de ficar ao lado da pessoa de quem gosta é quase nula… É colombiana (logo, com grande probabilidade de ser traficante de droga) e, por isso, não pode estar em Espanha, como turista, por mais de 15 dias. Procurar trabalho, com um visto de estudante, também é tarefa impossível: só lhe é permitido, por lei, ter um trabalho em part-time, o que não lhe dá a possibilidade de conseguir um visto de trabalho. Bem, acho que lhe resta casar-se… embora isso não faça parte dos seus planos!
Isto deixa-me a pensar… Eu, que ainda tenho tanto mundo para conhecer, gostaria de ter a liberdade de poder ficar onde quero, quanto tempo quiser. Refira-se que, para já, isto é só filosofia, porque ainda não me debrucei sobre questões políticas.
E, numa altura em que ando pr’aqui a torcer pela selecção nacional, não me quero esquecer que há valores mais altos do que o patriotismo, e que teremos muito a perder se quisermos só para nós o nosso pequeno pedaço de terra, à beira mar plantado!
Há no entanto algo que me ultrapassa, a paixão por Guimarães. Como dizia o jogador de voleibol do Vitória, Allan Cocato, “tenho a nacionalidade portuguesa, mas sinto-me mais vimaranense do que português”.